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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

TARGÉLIAS: JOGOS EXPIATÓRIOS DE ATENAS.

     Jogos expiatórios oferecidos ao deus Apolo e a deusa Artêmis,  em troca do recebimento do perdão das culpas praticadas pelo povo de Atenas e Jônia.
     O termo vem do grego "Thargéllon".
     Eram realizados nas cidades de Atenas e Jônia.
     Thargélion é o nome de um mês do calendário ateniense que corresponde aproximadamente ao mês de maio. Durante este mês eram praticados nestas cidades, as Targélias, festas em honra do irmão da deusa Artêmis, o deus Apolo, a quem se oferecia uma espécie de cereal, em que se fazia uma sopa, chanado targelos.
     Outras cidades da linhagem jônica tinha este mês em seus calendários, como Éfeso, que celebrava o mês do nascimento de Artêmis.
     Os gregos originaram-se de povos indo-europeus que migraram para a Península Balcânica em diversos períodos, no início do milênio II a.C. : Aqueus(2000-1200 a.C.), Eólios(1700 a.C.), Jônios(1700 a.C.), Dóricos(1200 a.C.). As populações invasoras são em geral conhecidas como "helênicas", pois sua organização em clãs fundamentava-se na crença de que descendiam do herói Heleno, filho de Deucalião e Pirra.
     Os antigos gregos autodenominavam-se "helenos" e a seu país chamavam Hélade, nunca se referindo a si mesmos com a palavra "gregos", nem a sua civilização de Grécia, pois estas palavras são latinas, tendo sido-lhes atribuídas pelos romanos. A Grécia antiga é termo geralmente usado para descrever o mundo grego e áreas próximas(como Chipre, Anatólia, sul da Itália, sul da França e costa do mar Egeu, além de assentamentos gregos no litoral de outros países, como o Egito).
     Os Aqueus, povos guerreiros, seminômades, conquistaram completamente os habitantes autóctones(oriundos da terra natal), os pelágios(povos marítimos), em busca de terras férteis para suas plantações.
     O historiador Wuilliam Ridgway descobriu diferenças entre a civilização Pelágia(povo marítimo) e a civilização Aquéia. Os Pelágios não conheceram o ferro, enquanto que os Aqueus sim. Os Pelágios enterravam seus mortos, ao passo que os Aqueus os queimavam. Os pelágios oravam olhando para o chão, por acreditarem que os deuses estivessem no interior da terra, porém os Aqueus oravam olhando para cima, por acreditarem que os deuses moravam no alto do monte Olimpo ou entre as nuvens. Disso tudo, Ridgway concluiu que os Aqueus não eram realmente uma população Pelágia(marítima), como as outras da Grécia, mas uma tribo céltica(povo indo-germânico) da Europa central que viera para o Peloponeso(Grécia do sul) não "da Tessália" e sim "através da Tessália". Subjugou os povos locais e, entre os séculos XIV e XIII a.C., com eles se fundiu, a ponto de criar uma nova civilização,  uma nova língua, a grega, permanecendo sempre classe dirigente.
     Os Aqueus, ao contrário dos Pelágios, foram um povo terrestre. Tanto assim que até a guerra de Troia nunca se tinham aventurado em conquistas marítimas e toda a vez que encontravam o mar, paravam. Não tentavam sequer conquistar as ilhas mais próximas do continente. Todas as suas capitais e cidadelas ficavam no interior. A Grécia, sob o domínio deles, limitava-se ao Peloponeso, à Ática e a Beócia. Mas para as populações pelágias da civilização miceniana, que era dada ao mar, a Grécia englobava todos os arquipélagos do mar Egeu.
     A cidade de Atenas foi fundada pelos Jônios, povo indo-europeu que se estabeleceu na Ática e no Peloponeso, indo mais tarde para a Ásia Menor, devida a chegada dos Dórios.
     Atenas resultou numa lenta mistura de povos pré-helênicos, realmente autóctones, vindos principalmente da Jônia, sem ocorrências de conflitos ou conquistas violentas. Sua posição geográfica deixou esta cidade livre as correntes invasoras Dóricas e Aquéias. Mais tarde, sua população sofreu novamente influência externa pela chegada gradual de estrangeiros, atraídos pela prosperidade comercial da cidade.
     No mundo antigo, a Grécia era a terra de Javã(Gênesis 10:4-5), neto do patriarca Noé e pai dos Jônios, uma das principais tribos da raça grega.
     Nas ilhas do Mar Egeu e em Creta, o espírito atlético surgiu por volta de 1500 a.C. Dentre os jogos praticados, destacavam-se: pugilismo, luta corporal, corridas a pé, hipismo, etc. Em Micenas, o atletismo teve grande difusão, desenvolvendo-se variadas manifestações esportivas por ocasião das festas religiosas dedicadas a um determinado deus. Os Micênios criaram novos jogos, como a corrida à pé e a corrida de carruagens(bigas). É na Era pré-homérica(2000-1200 a.C.) e pós-homérica, que o esporte se instalou nos hábitos cotidianos dos gregos. Os exercícios que tinham aplicação militar foram usados para criar provas competitivas no mundo grego. Os primeiros Ginásios(locais para práticas e preparações para os torneios) surgiram em Atenas no século VI a.C. Na maioria das religiões antigas, o mundo terrestre era uma projeção de Cosmos(universo). Assim sendo, os gregos criaram os heróis e deuses mitológicos com características humanas, sendo que o atletismo tornou-se reflexo divino e as competições esportivas como ritos sagrados.
     Em todos os tempos e em todas as sociedades, o homem sempre quis honrar os seus deuses com festas, estabelecendo dias especiais, nos quais o sentimento religioso reinaria sozinho em sua alma, sem distrai-la com pensamentos e ocupações terrenas. No número de dias que deveria viver, estabeleceu a parte que caberia as divindades. Cada cidade havia sido fundada com rituais, que no pensamento dos antigos, tinham por efeito fixar dentro de seus limites os deuses nacionais. Era necessário que a virtude destas cerimônias fosse rejuvenescida todos os anos por novo ritual religioso. Chamavam a essa festa dia natalício. Todos os cidadãos deveriam celebrá-la.
     Na Grécia como na Itália, cada ato de vida do agricultor era acompanhado de sacrifícios e os trabalhos eram executados enquanto se recitavam hinos religiosos. O que caracteriza as festas religiosas era a proibição do trabalho. Era obrigação estar alegre, entoar cânticos e participar dos jogos públicos.
     Os gregos antigos consideravam que eram os deuses quem decidiam a quem obteriam a vitória. O triunfo era frequentemente representado por uma mulher alada(com asas) caracterizada como "Nike", que significava "vitória" em grego, como servente ou mensageira dos deuses. "Nike" voava para a pessoa escolhida, entregando-a uma recompensa divina em forma de uma coroa ou fita. A fama dos atletas vencedores trazia reflexos de glória para todos os habitantes de sua cidade natal. No seu retorno dos jogos, recebiam uma recepção de herói, ganhando numerosos benefícios para o resto de sua vida. Por estarem orgulhosos, seus concidadãos, algumas vezes, faziam moedas com imagem do atleta para não esquecê-lo, tornando-os conhecidos de todo o mundo grego.
     Os jogos Targélios, como os jogos Teoxênias, em Delfos, e os jogos píticos, também em Delfos, eram dedicados ao deus Apolo. As Targélias eram torneios regionais, sendo inferiores aos Jogos Olímpicos, que eram festas nacionais, cobiçadas por todo o mundo grego.
     As competições esportivas ocorriam nas seguintes dependências: 1) Estádio: corridas a pé, corridas de bigas e corridas de cavalos, lançamento do dardo e disco, salto à distância: 2) Ginásio: pugilismo, luta livre: 3) Teatro: concursos de poesias, canto, música(cítara e flauta); dança de meninos em roda de um altar comemorando a vitória do deus Apolo sobre a serpente Píton.
     Baseado no estádio de Olímpia, que tinha o formato da letra "U", possuindo a medida de 211 por 23 metros. A corrida ou dromo era disputada num percurso de 192,27 metros, distância que os gregos diziam equivaler a 600 pés de Hércules, herói mitológico, cujas façanhas, segundo a tradição, estariam ligadas à própria origem dos jogos. Todavia, "um pé" não tinha a mesma dimensão em todos os lugares da Grécia, já que cada cidade tinha o seu próprio sistema de medição. Um pé, por exemplo, equivalia a 31,045 cm em Olímpia e em Delfos somente 29,6 cm. Assim, a pista de 600 pés tinha 192,27 metros em Olímpia; 184,96 metros em Atenas; 181,30 metros em Epidauro(cidade fundada pelos jônios, situada na Argólia, às margens do mar Egeu) e 177,60 metros em Delfos(Grécia central).
     As corridas à pé nos estádios estavam subdivididas da seguinte forma: 1) Dromo ou estádio- pouco mais de 200 metros; 2) Diaulo- cerca de 400 metros(2 vezes a distância do dromo); 3) Dólico- pouco mais de 4,5 mil metros; 4) corrida hípica- cerca de 800 metros; 5) corrida armada.
     Os atletas concentravam-se num determinado local e através de um toque de trombeta, sinalizava o início da disputa. Nos saltos, era permitido ao atleta impulsionar o corpo, desde que seus pés não ultrapassassem uma linha-limite riscada no solo. O vencedor era o que atingisse a maior distância, na soma de três(3) saltos. O atleta usava pesos. Com os pés juntos e sem correr, o atleta saltava, arremessando os seus braços para frente. No ar, os braços e as pernas estavam quase paralelos. Antes de aterrisar, o atleta balançava seus braços para trás, jogando os pesos ao mesmo tempo. O movimento lançava suas pernas para frente e estendia a distância do salto. O uso de pesos significava que os movimentos dos atletas tinham que ser coordenados. Músicas de flautas acompanhavam o evento a fim de auxiliar o respeito aos participantes. Os pesos eram feitos de pedras ou de metais e tinham formas variadas.
     Os discos lançados a distância pelos competidores eram feitos de bronze. Era grosso ao centro, fino em volta, medindo de 20 a 36 cm, pesando 5 kg. Os dardos possuiam aproximadamente 1,80 metros de comprimento, tendo uma extremidade de ferro pontiaguda que possibilitava ao atleta, com o lançamento, fincá-lo no solo. Sua propulsão fazia-se com auxílio de uma correia de 40 cm, enrolada um pouco atrás do centro de gravidade do dardo. Essa correia, acionada com força no momento do arremesso, impunha um movimento rotativo ao dardo, levando-o a grandes distâncias.
     Os primeiros cristãos(século I em diante) não participavam dos jogos, influenciando aos novos convertidos a desprezarem tais práticas, por terem sido criados como oferendas às divindades e por exaltarem ao ser humano, privilégio devido só ao Deus Eterno, na pessoa do Senhor Jesus Cristo.
     No ano 380 d.C., o Imperador Teodósio I, o Grande, contraiu uma grave enfermidade na cidade de Tessalônica(Grécia do norte) e graças as orações dos cristãos foi curado da mesma. Como gratidão, converteu-se ao evangelho e foi batizado, passando a pertencer a igreja cristã.
     No ano 390 d.C., Teodósio baixou um decreto em todo o império romano, tornando o homossexualismo ato condenável e proibido. A guarnição de Tessalônica era comandada pelo general Botarico, homem de confiança do imperador, governando esta metrópole. Um determinado cocheiro(condutor de carruagem) do Circo(hipódromo), preferido nas corridas de bigas, amado pelo povo, por concedê-los euforias e regozijos nos jogos públicos, manteve relações amorosas com um rapaz escravo, levando o governador Botarico a prendê-lo na cadeia pública. O povo revoltado com esta atitude, enfureceu-se e assassinou este comandante, juntamente com outros oficiais romanos, arrastando seus cadáveres pelas ruas da cidade. Em Milão, o imperador Teodósio foi informado deste acontecimento e com um ódio violento e sob influência do seu ministro Rufino, arquitetou um plano de vingança. Os Bispos tentaram em vão aplacar à ira do imperador. Como o povo amava imensamente os jogos  realizados no grande Circo da cidade(corridas de bigas e corridas de cavalos), seus oficiais convidaram a massa de Tessalônica, em nome de Teodósio, à exibição extra destes prestigiados jogos públicos. Sem desconfiarem da armadilha tramada, cerca de 15 mil pessoas, de todos os sexos, idades e condições sociais, lotaram as dependências deste enorme hipódromo. A seguir, uma legião de soldados armados com espadas desembanhadas , invadiu o local de diversões e durante três(3) horas seguidas, exerceu uma terrível carnificina. No desespero, um influente negociante estrangeiro tentou ainda subornar os capitães responsáveis pela matança, a fim de livrarem os seus dois(2) filhos que se encontravam no recinto dos torneios, porém ambos foram degolados à sua vista.
     Ambrósio, Bispo de Milão, ficou horrorizado com a notícia desta matança, e, para extravazar a sua dor, bem como para evitar a presença de Teodósio, retirou-se ao campo. Depois escreveu cartas de repúdio ao imperador , exortando-o ao arrependimento, advertindo-o que não tivesse a ousadia de se aproximar do altar de Deus, com as mãos respingadas de sangue inocente. Teodósio, em consequência dessas repreensões, reparou a sua imprudência, e, como não podia remediar o mal que tinha feito, dirigiu-se, com arrependimento, à  igreja de Milão. Ao chegar, o imperador retirou as insignas do poder, apresentou-se como suplicante no meio da igreja, confessou-se como culpado deste crime contra os tessalônicos, recebendo oito(8) meses de suspensão do meio dos fiéis, sem participar da ceia do Senhor. Com este ocorrido, Teodósio decretou que qualquer acontecimento grave no império, deveria durar cerca de 30 dias, entre a sentença dos juízes e a sua execução.
     Como os cristãos não participavam da euforia dos jogos de competições, o Bispo Ambrósio(Milão), um dos 'Pais da Igreja', advertiu novamente ao imperador por gostar dos jogos do Circo, torcendo pelo melhor cocheiro, que conduzia bem a sua carruagem de corrida ou o melhor jóquei, que conduzia o cavalo mais rápido nas pistas de corridas, a afastar-se destes prazeres peculiares aos pagãos. Após esta exortação, Teodósio afastou-se inteiramente da torcida nos jogos e multiplicou a prática dos jejuns, para ajudar contra a intemperança(obras da carne). (Gálatas 5:22).
     Em 393 d.C., o Bispo Ambrósio consumou o golpe mortal nos esportes, solicitando ao imperador a extinção dos mesmos em todo o império romano, o que incluía também os jogos atenienses(Targélias, Panatenéias), jogos olimpicos e jogos romanos.
                                   
                                        Bibliografia.
                       História Universal-César Cantu-volume 08-São Paulo-Editora das Américas.
                       A Cidade Antiga-Fustel de Coulanges-São Paulo-Volume 01
                       História Antiga e Medieval-Editora Scipiona-de Leonel Itausu A.Mello e Luís César Amad Costa.
                      No País dos deuses, os Gregos-1991-Sophie Descamps Lequime e Denise Vernery-Editora Augustus.
                      Historia dos Gregos-De Indro Montenalli-2ª edição-1968
                      Enciclopédia Mirador(Atletismo)-volume: 03-1990- São Paulo
                      Teodósio I- wikipédia
                      Jônios-Wikipédia.

    

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

CRONOLOGIA DAS OLIMPIADAS: PAGANISMO GREGO. II PARTE.

     Os Jogos olímpicos entraram na Era cristã com a mesma força e entusiasmo que causaram no periodo anterior a vinda do Messias.
     Ano I d.C.-195ª Olimpíadas- Em Roma, os principais espetáculos públicos ficaram assim divididos: 1) Jogos do Circo(hipódromo); 2) Jogos do Anfiteatro; 3) Jogos Cênicos(teatro); 4) Jogos do Estádio.
     5 d.C.-196ª Olimpíadas-
     9 d.C.- 197ª Olimpíadas-
     13 d.C.- 198ª Olimpíadas-
     17 d.C.-199ª Olimpíadas-
     21 d.C.-200ª Olimpíadas-
     25 d.C.-201ª Olimpíadas- Foi realizado em Delfos(Grécia central), os 219º jogos píticos em louvor ao deus Apolo.
     29 d.C.- 202ª Olimpíadas-
     33 d.C.- 203ª Olimpíadas- Ano em que foram escritos os capítulos 10 até o 16 do livro de Marcos; o capítulo 11 até o 24 do livro de Lucas;  o capítulo 12 até o 21 do livro de João; o capítulo 1 até o 7 do livro de Atos dos Apóstolos. Neste ano também ocorreu a conversão de Saulo(conhecido posteriormente como Apóstolo Paulo) à Jesus Cristo, no caminho da cidade de Damasco(Síria).
     37 d.C.-204ª Olimpíadas-  Deu-se a primeira  visita de Paulo a Jerusalém depois da sua conversão(Gálatas 1:18).
     41 d.C.-205ª Olimpíadas- Foi realizada em Delfos, os 223º jogos píticos em louvor ao deus Apolo.
     45 d.C.-206ª Olimpíadas- Ano em que foi escrito o capítulo 13 do livro de Atos dos Apóstolos.
     49 d.C.-207ª Olimpíadas-
     53 d.C.- 208ª Olimpíadas- Neste período, o Apóstolo Paulo estava realizando a sua segunda viagem missionária. Esteve na cidade de Atenas, onde teve grande contenda com os filósofos, obtendo poucos frutos de sua evangelização(Atos 17:15-34; 18:1; I Tessalonissenses 3:1). Chegou em Corinto(Grécia do sul), permanecendo durante um(1) ano e seis(6) meses, obtendo grandes resultados de seus trabalhos evangelísticos. Nesta cidade escreveu as duas(2) epístolas aos cristãos da cidade de Tessalônica, com o propósito de advertir os irmãos contra certas doutrinas e práticas nocivas que ameaçavam a igreja. Neste ano também findou-se a segunda viagem missionária feita por este Apóstolo(Atos 18:22). Neste ano foi escrito os capítulos 16 e 17 do livro de Atos.
     57 d.C.- 209 Olimpíadas- Neste período, os gregos da cidade de Corinto estavam praticando os 319º jogos ístmicos, em louvor ao deus Posseidon. Nesta data, o Apóstolo Paulo que estava na cidade de Éfeso(Ásia Menor), inspirado pelo Espírito Santo, escreveu a I Epístola aos cristãos da cidade de Corinto, combatendo estes jogos de exercícios, declarando que a sua corrida não era a do estádio grego, que era sem meta e que a sua luta não era a do pugilismo, que socava o ar, e caso ele aliasse o evangelho a prática destes jogos, estaria em si mesmo condenado. Diz que a maneira de vencer estes desejos de participar dos jogos é "subjugar o corpo e reduzi-lo a servidão".(I Coríntios 9:24-27). No período da sua terceira viagem missionária, iniciada no ano 54 d.C., esteve durante três(3) anos na cidade de Éfeso, onde evangelizou judeus e gentios(Atos 19:9-10); os feiticeiros(v.19) e contendeu contra os adoradores da deusa Diana(v.28 e 34), finalizando neste ano sua estadia na cidade de Éfeso(54-57 d.C.).
     61 d.C.-210ª Olimpíadas- O imperador  Nero instituiu, em Roma, as "Nerônias", jogos similares aos de Olímpia. Na primavera deste ano o Apóstolo Paulo chegou a Roma preso, junto com outros detentos, sob o cuidado de um centurião por nome Júlio(Atos 28:14-31; Filipenses 1:7-13).
     65 d.C.-211ª Olimpíadas- Nero participou desta Olimpíada e neste ano todas as cidades gregas realizaram todos os festivais esportivos para agradar este imperador(jogos píticos, nemesianos e ístimicos). Voltou para Roma com 1808 prêmios conquistados na Grécia. Depois de sua libertação da primeira prisão em Roma, Paulo vai a Macedônia e escreve duas epístolas pastorais: I à Timóteo, que servia como Pastor na igreja em Éfeso(Ásia Menor) e outra à Tito, jovem Pastor da igreja na ilha de Creta, localizada no mar Mediterrâneo, a 96 km ao sul da Grécia.
     69 d.C.-212ª Olimpíadas- Os atletas Politis de Ceremo e Hermógenes de Xanto, venceram a corrida do estádio(200 metros), diaulo(400 metros) e dólicos(4700 metros).
     73 d.C.-213ª Olimpíadas- Estes mesmos atletas foram vencedores nestas modalidades.
     77 d.C.- 214ª Olimpíadas- Novamente estes corredores venceram.
     81 d.C.- 215ª Olimpíadas- Estes corredores venceram mais uma vez, fechando este ciclo de vitórias.
     85 d.C.- 216ª Olimpíadas-
     89 d.C.- 217ª Olimpíadas-
     93 d.C.- 218ª Olimpíadas-
     97 d.C.- 219ª Olimpíadas- Foi realizada em Corinto, os 339º jogos ístmicos em honra a Posseidon.
     101 d.C.- 220ª Olimpíadas- Foi realizada em Corinto, os 341º jogos ístmicos em honra a Posseidon.
     105 d.C.- 221ª Olimpíadas- O Bispo Inácio, um dos 'Pais da igreja', em seus escritos condenou os prazeres deste mundo.
     109 d.C.- 222ª Olimpíadas- Foi realizada em Corinto, os 345º jogos ístmicos em honra a Posseidon.
     113 d.C.- 223ª Olimpíadas- Foi realizada em Corinto, os 347º jogos ístmicos em honra a Posseidon.
     117 d.C.- 224ª Olimpíadas- Foi realizada em Corinto, os 349º jogos ístmicos em honra a Posseidon.
     121 d.C.- 225ª Olimpíadas-
     125 d.C.- 226ª Olimpíadas-
     129 d.C.- 227ª Olimpíadas-
     133 d.C.- 228ª Olimpíadas-
     137 d.C.- 229ª Olimpíadas-
     141 d.C.- 230ª Olimpíadas-
     145 d.C.- 231ª Olimpíadas-
     149 d.C.- 232ª Olimpíadas- Foi realizada em Delfos, os 250º jogos píticos em louvor a Apolo.
     153 d.C.- 233ª Olimpíadas-
     157 d.C.- 234ª Olimpíadas-
     161 d.C.- 235ª Olimpíadas-
     165 d.C.- 236ª Olimpíadas-
     169 d.C.- 237ª Olimpíadas- Sob o reinado do Imperador Marco Aurélio, o Bispo Policarpo, um dos 'Pais da Igreja', discípulo e companheiro pessoal do apóstolo João, consagrado Bispo da igreja em Esmirna pelo próprio Apóstolo,  foi queimado vivo no anfiteatro desta cidade, por não negar a fé cristã e rejeitar o culto ao imperador e seus deuses.
     173 d.C.- 238ª Olimpíadas-
     177 d.C.- 239ª Olimpíadas-
     181 d.C.- 240ª Olimpíadas- Herodes Ático manda reconstruir  o estádio das Panatenéias, em Atenas, que Licurgo fizera construir cerca de 500 anos  antes.  Foi revestido de mármore das jazigas do pentélico, fazendo dele a praça de esportes mais suntuosa daquela época.
     185 d.C.- 241ª Olimpíadas-
     189 d.C.- 242ª Olimpíadas-
     193 d.C.- 243ª Olimpíadas-
     197 d.C.- 244ª Olimpíadas- O Bispo Tertuliano, um dos 'Pais da Igreja', em suas obras literárias condena os jogos do anfiteatro, Circo(hipódromo), estádios gregos e os teatros.
     201 d.C.- 245ª Olimpíadas-
     205 d.C.- 246ª Olimpíadas-
     209 d.C.- 247ª Olimpíadas-
     213 d.C.- 248ª Olimpíadas- Foi realizada em Delfos, os 266º jogos píticos em louvor a Apolo.
     217 d.C.- 249ª Olimpíadas-
     221 d.C.- 250ª Olimpíadas-
     225 d.C.- 251ª Olimpíadas- Foi realizada em Neméia(Grécia do sul), os 401º jogos em devoção ao deus Heracles(Hércules).
     229 d.C.- 252ª Olimpíadas-
     233 d.C.- 253ª Olimpíadas-
     237 d.C.- 254ª Olimpíadas-
     241 d.C.- 255ª Olimpíadas-
     245 d.C.- 256ª Olimpíadas- O Bispo Orígenes, um dos'Pais da Igreja', em suas obras literárias, combateu os prazeres deste mundo.
     249 d.C.- 257ª Olimpíadas-
     253 d.C.- 258ª Olimpíadas- Foi realizada em Neméia, os 415º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     257 d.C.- 259ª Olimpíadas-
     261 d.C.- 260ª Olimpíadas-
     265 d.C.- 261ª Olimpíadas- Foi realizada em Neméia, os 421º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     269 d.C.- 262ª Olimpíadas-
     273 d.C.- 263ª Olimpíadas-
     277 d.C.- 264ª Olimpíadas- Foi realizada em Neméia, os 427º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     281 d.C.- 265ª Olimpíadas-
     285 d.C.- 266ª Olimpíadas-
     289 d.C.- 267ª Olimpíadas-
     293 d.C.- 268ª Olimpíadas-
     297 d.C.- 269ª Olimpíadas-
     301 d.C.- 270ª Olimpíadas-
     305 d.C.- 271ª Olimpíadas-
     309 d.C.- 272ª Olimpíadas-
     313 d.C.- 273ª Olimpíadas- Lactâncio, um dos 'Pais da Igreja", em suas obras literárias, condenou os jogos de exercícios.
     317 d.C.- 274ª Olimpíadas-
     321 d.C.- 275ª Olimpíadas-
     325 d.C.- 276ª Olimpíadas- Com o crescimento do evangelho, o Imperador Constantino baniu em Roma as lutas de gladiadores.
     329 d.C.- 277ª Olimpíadas-
     333 d.C.- 278ª Olimpíadas-
     337 d.C.- 279ª Olimpíadas-
     341 d.C.- 280ª Olimpíadas-
     345 d.C.- 281ª Olimpíadas-
     349 d.C.- 282ª Olimpíadas-
     353 d.C.- 283ª Olimpíadas-
     357 d.C.- 284ª Olimpíadas- Foi realizada em Neméia, os 467º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     361 d.C.- 285ª Olimpíadas-
     365 d.C.- 286ª Olimpíadas-
     369 d.C.- 287ª Olimpíadas-
     373 d.C.- 288ª Olimpíadas- É introduzida no vocabulário cristão a expressão "pagão"(pagani= aldeão) denominando os adeptos da idolatria.
     377 d.C.- 289ª Olimpíadas-
     381 d.C.- 290ª Olimpíadas-
     385 d.C.- 291ª Olimpíadas- Nesta antepenúltima Olimpíada da Era cristã, o príncipe Varazdates, de um reino armênio(atual Turquia), venceu a prova do pugilismo.
     389 d.C.- 292ª Olimpíadas-
     393 d.C.- 293ª Olimpíadas- A pedido do Bispo Ambrósio de Milão, um dos 'Pais da Igreja', o Imperador Teodósio I, o Grande, proibiu a prática de todos os torneios esportivos no império romano, inclusive os jogos Olímpicos.
     

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

CRONOLOGIA DAS OLIMPÍADAS: PAGANISMO GREGO- I PARTE.

     As Olimpíadas retornaram em 884 a.C., por iniciativa do rei Ìfito da Élida, em honra ao deus da força Heracles( ou Hércules, de Roma). De 884 a.C. até o ano 780 a.C., foram realizadas 27 Olimpíadas não oficializadas, ou seja, não catalogadas, onde deixaram de anotar todos os atletas que se destacaram nas competições de corridas à pé. Os Jogos Olímpicos só foram oficializados na data de 776 a.C., quando começou a contar as suas realizações. ocorrendo sempre de 4 em 4 anos, tendo por divindade homenageada Zeus, o senhor do Olimpo(segundo os gregos).
     776 a.C.- 1ª Olimpíada- ano da 28ª Olimpíada, começando-se a contar como se fosse o 1º ano dos Jogos Olímpicos. Os eleatas(habitantes da Élida) abrem o registro cronológico com a inscrição de Coerebus, seu compatriota, um cozinheiro, como vencedor da corrida do estádio, prova única que se compunha o programa Olímpico da época. Esta é a primeira data positiva não só da história grega, mas também da história européia. Pausâneas, historiador e geógrafo grego do século II a.C.,  diz que os parentes, amigos e admiradores de Coerebus edificaram-lhe uma estátua de pedra, das primeiras que deste material se fizera na Grécia, pois até então só se esculpia a figura dos deuses e esta mesma em madeira.
     752 a.C.- 7ª Olimpíadas- Daikles de Messênia é o primeiro atleta a receber, como recompensa pela sua vitória, na corrida do estádio, uma coroa de oliveira tirada da àrvore sagrada que crescia junto ao templo de Zeus, em Olímpia.
     748 a.C.- 8ª Olimpíadas-
     744 a.C.- 9ª Olimpíadas-
     740 a.C.- 10ª Olimpíadas-
     736 a.C.- 11ª Olimpíadas-
     732 a.C.- 12ª Olimpíadas-
     728 a.C.-13ª Olimpíadas-
     724 a.C.-14ª Olimpíadas- A corrida simples do estádio, até então a única prova do programa Olímpico,  é acrescentada a corrida dupla do estádio ou "diaulos", correspondente, mais ou menos, aos atuais 400 metros.
     720 a.C.-15ª Olimpíadas- O programa das Olimpíadas é ampliado com a corrida da resistência("dólica"), disputada em 4, 7, 12 e 24 vezes a extensão do estádio. O corredor Orsipo enrosca os pés na faixa que lhe corria os rins, porém conseguiu se desatar na esforçada carreira. Daí por diante, estabeleceu-se o costume dos atletas sempre concorrerem completamente nus nos campos e pistas Olímpicas.
     716 a.C.- 16ª Olimpíadas-
     712 a.C.-17ª Olimpíadas-
     708 a.C.-18ª Olimpíadas- É introduzida a luta corporal, como também o pentatlo: concurso atlético, composto de salto à distância, corrida do estádio, arremesso do disco, dardo e luta. Verifica-se que em um só dia é insuficiente para a conclusão da disputa completa do programa Olímpico, sendo ampliado para mais dias de disputadas dos jogos. Lâmpis(da Lacônia ou Lacedemônia) venceu a prova do Pentatlo e Euríbates de Esparta foi o vencedor da luta corporal.
     704 a.C.-19ª Olimpíadas-
     700 a.C.- 20ª Olimpíadas-
     696 a.C.- 21ª Olimpíadas- Primeira vitória de um ateniense, o que assume especial importância, pois até então as vitórias olímpicas distribuíam-se entre os messênios e os espartanos.
     692 a.C.- 22ª Olimpíadas-
     688 a.C.- 23ª Olimpíadas- Primeira vitória na corrida à pé, de um grego "colonial" da Ásia Menor. Vê-se então a difusão geográfica da idéia olímpica no mundo helênico. O pugilismo passou a entrar nas provas olímpicas.
     684 a.C.-24ª Olimpíadas-
     680 a.C.- 25ª Olimpíadas- É introduzida a corrida de carros(bigas). Atribue-se a Erictomos, rei de Atenas, ter sido o primeiro a atrelar, no ano 1550 a.C., quatro cavalos ao seu carro de guerra.
     676 a.C.-26 ª Olimpíadas-
     672 a.C.-27ª Olimpíadas- Primeira vitória de um grego da Itália do sul, conhecida também como Magna Grécia. É ainda um exemplo da difusão  progressiva da idéia Olimpica.
     668 a.C.-28ª Olimpíadas-
     664 a.C.- 29ª Olimpíadas- Quiones de Esparta venceu a corrida de velocidade(estádio) e a corrida duploa do estádio(400 metros).
     660 a.C.-30ª Olimpíadas- Quiones de Esparta novamente truinfou nestas duas modalidades de corrida pela segunda vez.
     656 a.C.-31ª Olimpíadas- Quiones de Esparta venceu novamente estas duas modalidades de corridas pela terceira vez.
     652 a.C.- 32ª Olimpíadas-
     648 a.C.- 33ª Olimpíadas-É introduzida o Pancrácio("Poderes Totais"), misto de vale-tudo combinada com pugilismo. Começam a ser disputados nessa Olimpíada, corridas de cavalos montados(hipismo), corridas à pé e pugilato para meninos.
     644 a.C.- 34ª Olimpíadas-
     640 a.C.-35ª Olimpíadas-
     636 a.C.-36ª Olimpíadas-
     632 a.C.-37ª Olimpíadas-
     628 a.C.-38ª Olimpíadas- Adota-se o pentatlo para meninos. Foi imediatamente abolido para as Olimpíadas seguintes.
     624 a.C.- 39ª Olimpíadas-
     620 a.C.- 40ª Olimpíadas-
     616 a.C.- 41ª Olimpíadas- São instituídos os jogos romanos com a finalidade de celebrar a cidade de Roma ou a própria deusa Roma.
     612 a.C.- 42ª Olimpíadas-
     608 a.C.- 43ª Olimpíadas-
     604 a.C.- 44ª Olimpíadas-
     600 a.C.- 45ª Olimpíadas-
     596 a.C.- 46ª OLimpíadas-
     592 a.C.- 47ª Olimpíadas- Sólon(640-560 a.C.), estadista e legislador ateniense, reduz a pensão que o governo de Atenas concedia aos vencedores olímpicos, pois ele julgava cidadãos inúteis, muitas vezes até perigosos. Aproveitou o dinheiro assim economizado para dá-lo às viúvas e aos filhos dos patriotas mortos na guerra.
     588 a.C.- 48ª Olimpíadas-
     584 a.C.- 49ª Olimpíadas- Nesta data, os jogos píticos realizados em Delfos(Grécia central), até então disputados de 9 em 9 anos, desde 1154 a.C., passam a ser celebrados de 4 em 4 anos, sempre no 3º ano de cada Olimpíada. E daí por diante, incluem-se no programa concursos artísticos e literários.
     580 a.C.- 50ª Olimpíadas- Começam a ser realizados de 2 em 2 anos, os jogos ístmicos, dedicados ao deus Posseidon na cidade de Corinto(sul da Grécia), destacando-se também concursos de músicas e poesia, acessíveis a mulheres, tanto que num deles Píndaro(522-443 a.C.), poeta grego, foi 5 vezes vencido pela poetisa  Corina. Tais jogos  eram celebrados nos 1º e 3º anos entre uma e outra Olimpíada. Os vencedores eram premiados com uma coroa de pinheiro.
     576 a.C.- 51ª Olimpíadas- Começam a ser celebrados os jogos nemesianos, em Neméia, na Grécia, realizados de 2 em 2 anos, nos 2º e 4º anos de cada Olimpíada. Como eram jogos fúnebres em honra de Archemore, filho do rei de Neméia, morto por uma serpente, os juízes vestiam neles trajes de luto.
     572 a.C.- 52ª Olimpíadas- O atleta Arraque de Figalia foi o vencedor do Pancrácio.
     568 a.C.- 53ª Olimpíadas- Novamente, este lutador venceu a competição do Pancrácio.
     564 a.C.- 54ª Olimpíadas- Neste dia decisivo, Arraque, campeão de Pancrácio, foi morto estrangulado por seu concorrente.
     560 a.C.- 55ª Olimpíadas-
     556 a.C.-56ª Olimpíadas-
     552 a.C.-57ª Olimpíadas-
     548 a.C.- 58ª Olimpíadas-
     544 a.C.- 59ª Olimpíadas-
     540 a.C.- 60ª Olimpíadas-
     536 a.C.-61ª Olimpíadas-
     532 a.C.- 62ª Olimpíadas- O atleta Milon de Crotona venceu a competição de pugilismo
     528 a.C.- 63ª Olimpíadas- Novamente, Milon de Crotona venceu a competição de pugilismo.
     524 a.C.- 64ª Olimpíadas- Milon de Crotona repetiu esta façanha em truinfar na luta de pugilato.
     520 a.C.- 65ª Olimpíadas- Começa a ser disputada nos Jogos Olimpicos, a luta para meninos, pouco depois cancelada. Introduz-se a corrida para "Hoplitas"(soldados de infantaria completamente armados). Mais uma vez, Milon de Crotona sai vitorioso nos pugilatos de Olímpia.
     516 a.C.- 66ª Olimpíadas-  Milon de Crotona é considerado grande campeão, por conquistar mais uma vitória nos pugilatos de Olímpia.
     512 a.C.- 67ª Olimpíadas- Nesta Olimpíada, foi a última deste lutador nos ringues da Grécia. O seu adversário, Timasíteos, soube esquivar-se com grande habilidade ao ataque de Milon, cansando o campeão olímpico, levando-o a desistir da luta, findando o seu ciclo de competições aos 45 anos de idade.
     508 a.C.- 68ª Olimpíadas-
     504 a.C.- 69ª Olimpíadas-
     500 a.C.- 70ª Olimpíadas-
     496 a.C.- 71ª Olimpíadas-
     492 a.C.- 72ª Olimpíadas- Os gregos derrotam os persas na planície de Maratona, sendo esta vitória decisiva para os destinos da Europa ameaçados pelo domínio da Ásia. Este episódio deu origem a corrida de maratona.
     488 a.C.- 73ª Olimpíadas- O corredor Astilo de Crotona venceu a corrida do estádio(cerca de 200 metros) e o "diaulos"(prova de 400 metros).
     484 a.C.- 74ª Olimpíadas- Novamente, o atleta Astilo de Crotona venceu a corrida do estádio e o duplo-estádio(400 metros).
     480 a.C.-75ª Olimpíadas- Ocorreu a Batalha das Termópilas. Em Olímpia, o corredor Astilo de Crotona, ganhou novamente as três(3) corridas do programa esportivo. Teógenes de Tasos triunfou no pugilato em Olímpia.
     476 a.C.- 76ª Olimpíadas- Os Jogos Olímpicos chegam ao seu apogeu.Nesta celebração surgem duas das maiores figuras do tempo: Píndaro(poeta grego: 522-443 a.C.) e Temístocles(político ateniense: 524-460 a.C.). Neste ano, Astilo de Crotona venceu a corrida armada. Teógenes de Tasos venceu a prova do Pancrácio.
     472 a.C.- 77ª Olimpíadas- Início da construção do templo de Zeus em Olímpia. Os espartanos são expulsos dos jogos Olímpicos. Os jogos passam a ser disputados durante 5 dias, num total de 10 provas atléticas. Teógenes de Tasos venceu a prova da luta livre.
     468 a.C.- 78ª Olimpíadas- O atleta Teógenes de Tasos venceu as provas de luta, pancrácio(vale-tudo) e pugilato.
     464 a.C.- 79ª Olimpíadas- O atleta Xenofonte, de Corinto, venceu a corrida do estádio e o pentatlo(composto de: salto à distância, corrida do estádio, arremesso do disco, dardo e luta).
     460 a.C.- 80ª Olimpíadas-
     456 a.C.- 81ª Olimpíadas- Concluída a construção do templo de Zeus, em Olímpia.
     452 a.C.- 82ª Olimpíadas-
     448 a.C.- 83ª Olimpíadas-
     444 a.C.-84ª Olimpíadas-
     440 a.C.- 85ª Olimpíadas-
     436 a.C.- 86ª Olimpíadas-
     432 a.C.- 87ª Olimpíadas-
     428 a.C.- 88ª Olimpíadas- Turbulência devido a guerra do peloponeso, iniciada em 431 a.C.
     424 a.C.- 89ª Olimpíadas-
     420 a.C.- 90ª Olimpíadas-
     416 a.C.- 91ª Olimpíadas- O político e general ateniense Alcibíades(450-404 a.C.), participou da corrida de carros, no hipódromo de Olímpia, com 7 bigas(carruagens puxadas por dois cavalos), conquistando o 1º, 2º e 4º lugares.
     412 a.C.- 92ª Olimpíadas-
     408 a.C.- 93ª Olimpíadas- São instituídos nos jogos Olímpicos, concursos de arautos(mensageiros  que anunciavam as guerras) e de trombeteiros , com o que os gregos antigos  reconheciam estes profissionais o valor essencial destes divulgadores da competição olímpica.
     404 a.C.- 94ª Olimpíadas- Deu-se o fim da Guerra do Peloponeso.
     400 a.C.- 95ª Olimpíadas-
     396 a.C.- 96ª Olimpíadas-
     392 a.C.- 97ª Olimpíadas-
     386 a.C.- 98ª Olimpíadas-
     384 a.C.- 99ª Olimpíadas- O corredor Sotades de Creta venceu a corrida de "daulichos", correspondente a 4700 metros.
     380 a.C.-100ª Olimpíadas-
     376 a.C.-101ª Olimpíadas-
     372 a.C.-102ª Olimpíadas- Em Corinto(Sul da Grécia), foram realizados os 105º jogos ístmicos em louvor ao deus Posseidon.
     368 a.C.- 103ª Olimpíadas-
     364 a.C.- 104ª Olimpíadas Cerca de dois(2) séculos(50 Olimpíadas) depois  que se colocou em Olímpia a estátua de um atleta, talhada ainda em madeira, abandonou-se, no apogeu,  da carreira do famoso Praxíteles(390-330 a.C.), escultor grego,  a representação escultural  de modelos esportivos. Vê-se por aí como foi rápido o período  em que na Grécia antiga, a arte este tão ligada com a educação física. O escultor Scopas, tão destacado como Praxíteles, não procurou inspiração nos esportes.
     360 a.C.-105ª Olimpíadas-
     356 a.C.- 106ª Olimpíadas- Nascimento de Alexandre, o grande(filho de Felipe II, da Macedônia) e vitória dos cavalos de corridas do rei Felipe II, no hipódromo de Olímpia.
     352 a.C.-107ª Olimpíadas-
     348 a.C.-108ª Olimpíadas-
     344 a.C.-109ª Olimpíadas-
     340 a.C.-110ª Olimpíadas-
     336 a.C.- 111ª Olimpíadas- Soube ao trono da Macedônia, Alexandre o grande, com 20 anos de idade. Passa a enviar lutadores para competirem no estádio de Olímpia. Em Roma, os jogos começaram a fazer parte do calendário público da cidade.
     332 a.C.-112ª Olimpíadas- Surge um grande campeão de Alexandre, o Grande, chamado Coragus(lutador do Pancrácio). Alexandre, o Grande conquista as terras de Judá e Benjamim(Jerusalém), porém respeita a fé dos hebreus e não impõe as práticas dos jogos de exercícios na Judéia.
     328 a.C.-113ª Olimpíadas-
     324 a.C.-114ª Olimpíadas- Foram realizados em Corinto, os 129º jogos ístmicos em louvor a Posseidon.
     320 a.C.-115ª Olimpíadas-
     316 a.C.-116ª Olimpíadas-
     312 a.C.-117ª Olimpíadas-
     308 a.C.-118ª Olimpíadas- Foram realizados em Corinto, os 137º jogos ístmicos em louvor a Posseidon.
     304 a.C.-119ª Olimpíadas-
     300 a.C.-120ª Olimpíadas-
     296 a.C.-121ª Olimpíadas-
     292 a.C-122ªOlimpíadas-
     288 a.C.-123ª Olimpíadas-
     284 a.C.-124ª Olimpíadas-
     280 a.C.-125ª Olimpíadas- Foram realizados em Corinto, os 151º jogos ístmicos em louvor a Posseidon.
     276 a.C.-126ª Olimpíadas- Foram realizados em Delfos(Grécia central), os 144º jogos píticos em honra a divindade Apolo.
     272 a.C.-127ª Olimpíadas-
     268 a.C.-128ª Olimpíadas-
     264 a.C.-129ª Olimpíadas- Foram realizados em Delfos, os 147º jogos píticos em honra a Apolo.
     260 a.C.-130ª Olimpíadas-
     256 a.C.-131ª Olimpíadas-
     252 a.C.-132ª Olimpíadas-
     248 a.C.-133ª Olimpíadas-
     244 a.C.-134ª Olimpíadas- Foram realizados em Delfos, os 152º jogos píticos em honra ao deus Apolo.
     240 a.C.-135ª Olimpíadas- O atleta Lados de Esparta venceu a corrida de fundo, vindo a morrer logo em seguida.
     236 a.C.-136ª Olimpíadas-
     232 a.C.-137ª Olimpíadas-
     228 a.C.-138ª Olimpíadas-
     224 a.C.-139ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia(Grécia do sul), os 177º jogos nemesianos em devoção ao deus Heracles(Hércules).
     220 a.C.-140ª Olimpíadas-
     216 a.C.-141ª Olimpíadas-
     212 a.C.-142ª Olimpíadas- Os jogos Apolinários, em gratidão ao deus Apolo, são instituídos em Roma.
     208 a.C.-143ª Olimpíadas-
     204 a.C.-144ª Olimpíadas- Foram realizados em Delfos, os 162º jogos píticos em honra a Apolo.
     200 a.C.-145ª Olimpíadas-
     196 a.C.-146ª Olimpíadas-
     192 a.C.-147ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia, os 193º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     188 a.C.-148ª Olimpíadas-
     184 a.C.-149ª Olimpíadas-
     180 a.C.-150ª Olimpíadas-
     176 a.C.-151ª Olimpíadas-
     172 a.C.-152ª Olimpíadas- Nesta data, estava imposto na Judéia o reinado do rei Sírio Antíoco Epifanes IV que forçou uma helenização  aos hebreus e também a prática de jogos de exercícios, coisa contrária a fé hebraica, causando revolta em grande parte do povo de Jerusalém.
     168 a.C.-153ª Olimpíadas-
     164 a.C.-154ª Olimpíadas- O atleta Leônidas, de Rodes, venceu as três(3) corridas olímpicas: corrida do estádio(200 metros), diaulos(400 metros) e a dórica(equivalente a 4700). Na Judéia, os macabeus conseguiram vencer as tropas gregas, lideradas pelos Selêucidas(198-164 a.C.),expulsando-os da Judéia e terminando definitivamente com a práticas dos jogos gregos imposto em seus domínios. Em Roma, com o surgimento das corridas de bigas e combates de gladiadores, levou o povo romano a desprezar o teatro.
     160 a.C.-155ª Olimpíadas- Este atleta repetiu novamente esta façanha vencendo estas três corridas.
     156 a.C.-156ª Olimpíadas- Leônidas foi mais uma vez campeão nestas três modalidades de corridas.
     152 a.C.-157ª Olimpíadas- Leônidas venceu novamente estas corridas, findando assim o seu ciclo de triunfos em Olímpia.
     148 a.C.-158ª Olimpíadas-
     144 a.C.-159ª Olimpíadas-
     140 a.C.-160ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia, os 219º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     136 a.C.-161ª Olimpíadas-
     132 a.C.-162ª Olimpíadas-
     128 a.C.-163ª Olimpíadas-
     124 a.C.-164ª olimpíadas-
     120 a.C.-165ª Olimpíadas-
     116 a.C.-166ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia, os 231º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     112 a.C.-167ª Olimpíadas-
     108 a.C.-168ª Olimpíadas-
     104 a.C.-169ª Olimpíadas-
     100 a.C.-170ª Olimpíadas-
     96 a.C.-171ª Olimpíadas-
     92 a.C.-172ª Olimpíadas-
     88 a.C.-173ª Olimpíadas- Triunfo do general Sila sobre Caio Mário, levando o exército vitorioso  a comemorar com partidas de harpastum(jogo de bola) durante horas seguidas.
     84 a.C.-174ª Olimpíadas-
     80 a.C.-175ª Olimpíadas-
     76 a.C.-176ª Olimpíadas-
     72 a.C.-177ª Olimpíadas-
     68 a.C.-178ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia, os 255º jogos nemesianos em devoção a Hércules.
     64 a.C.-179ª Olimpíadas-
     60 a.C.-180ª Olimpíadas-
     56 a.C.-181ª Olimpíadas-
     52 a.C.-182ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia, os 263º jogos em devoção a Hércules.
     48 a.C.-183ª Olimpíadas-
     44 a.C.-184ª Olimpíadas- O prefeito e ditador Júlio César promoveu torneios esportivos com 300 pares de lutadores no Anfiteatro de Roma.
     40 a.C.-185ª Olimpíadas-
     36 a.C.-186ª Olimpíadas-
     32 a.C.-187ª Olimpíadas-
     28 a.C.-188ª Olimpíadas-
     24 a.C.-189ª Olimpíadas-
     20 a.C.-190ª Olimpíadas- Foram realizados em Neméia, os 279º jogos nemesianos em devoçao a Hércules.
     16 a.C.-191ª Olimpíadas-
     12 a.C.- 192ª Olimpíadas- O rei Herodes, o Grande fez a abertura dos jogos Olímpicos.
     8 a.C.-193ª Olimpíadas-
     4 a.C.-194ª Olimpíadas- Última Olimpíada antes de Era Cristã.
     De todos os povos da Terra, Israel e Judá repudiaram e combateram os jogos gregos praticados pelas nações.
     No final do século V a.C., o sofista Hípias da Élida, publicou uma lista de campeões. Graças a esta lista de papiro de oxirrinco, são conhecidos 921 dos 4237 vencedores dos Jogos Olímpicos.
                                        

                                           Bibliografia.
                  "A Grande Enciclopédia da Vida-Volume: 1- De Douglas Michalany-São Paulo-

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

HERAIAS: JOGOS FEMININOS DE OLÍMPIA.

     A presença de mulheres era proibida nos jogos Olímpicos, tanto nas provas atléticas como na platéia. A única exceção era a presença da sacerdotisa da deusa Deméter(divindade que regia a agricultura, segundo os gregos), que assistia a todos os espetáculos, acomodada em um altar de mármore. Só houve um caso de transgressão. O pugilismo foi incluído nas 23ª Olimpíadas, no ano 688 a.C. No ano 680 a.C., Ferênica de Rodes, filha de um grande campeão de luta e mãe de outro campeão, dizia-se ser descendente do deus Heracles(ou Hércules, em latim). Querendo ver de perto a luta do seu filho, levou-a a se disfarçar em treinador. Entrou no estádio junto com um grupo de atletas, para assistir a competição. Vendo que seu filho derrubara o seu adversário, com seu entusiasmo correu para o ringue, toda descabelada, sem perceber que o seu desfarce fora revelado, sendo reconhecida. A lei era clara: a mulher que descomprisse seria condenada à morte. Mas dizem que "Hércules" em pessoa veio do Olimpo testemunhar em seu favor e reconheceu-a como a sua própria descendência, levando a acusada a ser absolvida pelos juízes. Para impedir que o caso se repetisse, prescreveu-se, desde então, que atletas e treinadores se apresentassem completamente nus.
     O monumento mais antigo de Olímpia era o templo de Hera, a rainha do Olimpo, segundo os gregos. Foi construído no ano 600 a.C., sendo um dos mais belos edifícios da época. Antecedeu o templo de Zeus. Na câmara do templo desta deusa, foi descoberta a célebre estátua do divino Hermes com o pequeno Dionisio, atribuído ao habilidoso escultor grego Praxíteles(390-330 a.C.). Ali permaneciam depositadas as coroas de louros destinadas aos campeões olímpicos. O templo media 50 metros de altura por 18,8 metros de largura. Era ricamente enfeitado e diversas estátuas de madeira de Hera(deusa do casamento e esposa de Zeus).
     Hera possuia veneração em vários locais, especialmente em Argos e Olímpia. Seu culto também era muito difundido na ilha de Creta e em Samos(ilha grega ao leste do mar Egeu), onde um grande templo foi edificado pelos argonautas. Em Olímpia, o Heraion, conhecido como o local de culto desta divindade.
     Foram criadas em Olímpia, as Heraias ou jogos Heranos, em devoção a deusa Hera, com a participação exclusivamente feminina. Estes jogos consistiam em competições atleticas, onde participavam as virgens da cidade de Élida, nas modalidades de corridas à pé, realizadas no próprio estádio de Olímpia. Ao término dos jogos, haviam sacríficios de animais à deusa, procissão e festas. As mulheres casadas não poderiam ser espectadoras dos torneios, sob a pena de serem condenadas à morte, caso violassem esta regra. As Heraias ocorriam em 4 em 4 anos.
     As concorrentes vestiam graciosos saiotes terminando pouco acima dos joelhos e uma peça deixando descobertos o ombro e o seio direito. As vencedoras podiam oferecer à deusa homenageada, estátuas delas próprias, assim perpetuando a memória da cobiçada vitória. No templo de Hera, o historiador e geógrafo grego Pausânias(século II a.C.), teria visto, no ano 116 a.C.(ano da 166ª Olimpíada), o pacto gravado num disco de metal inscrito pelo rei Ífito(Èlida), em 884 a.C., tornando sacrílego(herege) quem ingressasse em Olímpia portando armas, durante a realização dos jogos consagrados à Zeus. No disco estava escrito: "Trégua Sagrada".
     Na Hélade(Grécia), destacam-se os mitos que exaltavam as qualidades guerreiras ou atléticas de pessoas do sexo feminino,  tais como as "Amazonas", amplamente conhecido e também a figura de "Atlanta". Essa personagem corresponde à da atleta completa, capaz de competir, em várias provas, com os mais preparados adversários masculinos e, nitidamente vencê-los. Essa mitológica personalidade, além disso, representava um acúmulo de capacidade das mais raras no mundo dos torneios. Era ao mesmo tempo campeã de corrida e de luta, coisa considerada quase impossível entre os entendidos de provas atléticas.
     Atlanta é representada ora com uma espécie de biquini, ora(quando participa da luta) com uma espécie de monoquini, embora denote poderio físico, porém mantendo a sua feminilidade. Atribuíam-lhe, ademais, além de invejável beleza, verdadeira multidão de ardorosos apaixonados. Na cidade grega de Esparta,  as mulheres também praticavam torneios esportivos publicamente e costumavam usar poucas roupas. Atlanta, portanto, poderia ter sido apenas como um ideal de mulher espartana. Acontece, contudo, que o mito além de não ser originário da Lacônia, era espalhada e apreciada em toda a Grécia.
     Por pertencer ao paganismo grego e por exaltar o ser humano, estes jogos como as demais competições praticadas em todas as regiões, encontraram grande oposição por parte do evangelho de Jesus Cristo. Os Pais da Igreja, que receberam também aconselhamentos orais(não-escritos) dos Apóstolos de Cristo, combateram firmemente os jogos gregos. Os Pais Apostólicos(I século d.C.), Os Apologistas(II século d.C.), Os Polemistas(II século d.C.) e Os Teólogos Científicos(IV século d.C.), responsáveis pela exortação, edificação, defesa da igreja, advertiram contra as práticas dos jogos de exercícios.
     Eis alguns relatos:
     1) Clemente de Alexandria(150 d.C.): "Portanto, irmãos, não apreciemos nossa vida neste mundo e façamos a vontade do que nos chamou e não tenhamos medo de afastar-nos deste mundo. Porque o Senhor disse: serão como cordeiros no meio de lobos.... Sabem, irmãos, que a vida da carne neste mundo é desprezível e dura pouco, mas a promessa de Cristo é grande e maravilhosa, a saber, o repouso do reino que será e a vida eterna. Que podemos fazer, pois, para obtê-las, senão andar em santidade e justiça e considerar que as coisas deste mundo são estranhas para nós e não as desejar? Porque quando desejamos obter estas coisas corremos do caminho reto. Mas o Senhor disse: ninguém pode servir a dois senhores..."
     2)Taciano(160 d.C.): "...Não sou levado por um amor insaciável de ganhos(financeiros) para fazer-me amar. Não anseio uma coroa. Estou livre de uma sede excessiva pela fama...sou superior a todo o tipo de prazeres...morram ao mundo, repudiando a loucura que há nele".
     3) Taciano(160 d.C.): "Se és superior às paixões, desprezarás todas as coisas do mundo".
     4) Irineu(180 d.C.): "Cristo não nos relatou simplesmente a história do homem pobre e rico. Ele nos ensinou que ninguém deve levar uma vida luxuosa. Ninguém deve viver nos prazeres deste mundo e banquetes(festas) sem fim. Ninguém deve ser escravo de seus desejos e esquecer de Deus".
     5)Clemente de Alexandria(195 d.C.): "Aos que progridem no conhecimento de Cristo, o Senhor, fala-lhes com esta linguagem: ordena-lhes desprezar as coisas deste mundo e lhes exorta a fixar seu atendimento somente no Pai".
      6) Tertuliano(197 d.C.): " No que a vocês respeita, são estangeiros neste mundo, cidadãos de Jerusalém, a cidade que está no céu. Nossa cidadania, diz o Apóstolo, está nos céus....Vocês não têm nada que ver com os deleites(prazeres) deste mundo".
      7) Orígenes(245 d.C.): "Não é possível para ninguém entrar no reino dos céus, sem ter-se afastado dos assuntos(prazeres) deste mundo".
      8) Cipriano(250 d.C.): "(Os mártires) recusaram com firmeza ao mundo..... e deram aos irmãos exemplo para seguir".
       9) Cipriano(250 d.C.): "De vez e por todas devemos recordar que renunciamos ao mundo e que enquanto vivemos aqui como estrangeiros e peregrinos".
      No ano 393 d.C., o Bispo Ambrósio de Milão, um dos Pais da Igreja, intercedeu junto ao Imperador Teodósio I, convertido ao evangelho, para proibir a prática de todos os jogos de exercícios no vasto Império Romano, dando lugar ao culto ao Salvador Jesus Cristo.

                                             Bibliografia.
                          Dicionário da Igreja Primitiva.
                         As Olimpíadas-História dos gregos-De Indro Montanelli-São Paulo-1959-2ª edição.
                         A Grande Enciclopédia da Vida-volume: 01-De Douglas Michalany-São Paulo

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

DÉLIAS : JOGOS DE EXERCÍCIOS NO SANTUÁRIO DE APOLO..

     Delos era a menor das ilhas cíclades, com 3 km2  e ao mesmo tempo a mais famosa e a mais sagrada.
     Significa "Aquela que aparece", sendo considerada ponto central desse arquipélago, com as demais ilhas ao seu redor, no sul do mar Egeu.
      Ciclade no grego antigo significa "circular", compondo um grupo totalizado de mais de 200 ilhas, entre elas: Amorgos, Anafi, Andros, Antíparos, Ceos, Donoussa, Folegandros, Los, Irakleia, Kimolos, Koufonissi, Kythnos, Milos, Miconos, Naxos, Paros, Santorini, Schoinoussa, Sérifo, Sifnos, Sikinos, Siro, Therasia, Tinos, etc. Este arquipélago compõe uma área de 2572 km2.
     A ilha de Delos é facilmente acessível através da ilha de Mykonos.
     Sítios arqueológicos pertencentes à civilização minóica e mais tarde, de Micenas, foram escavados ali, especialemte nas ilhas de Melos e Tera. Delos provavelmente sempre foi o foco religioso da região.
     Os jônios, povos indo-europeus, ocuparam esta ilha por volta do ano 2000 a.C., e implantaram nesta região o culto de Leto, ou seja, do deus Olímpico Apolo e de seus filhos divinizados. Foram construídos nesta ilha um teatro, que comportava cerca de 5 mil pessoas; um lago sagrado de Apolo, sendo construído o "Terraço dos Leões", composto por nove(9) esculturas de leões em mármore, que guardavam e protegiam este lago, onde, segundo a tradição grega, Apolo teria nascido. Foi erguido também um santuário ao deus Dionísio, deus do vinho e do teatro, datado do ano 300 a.C.
     Os jônios edificaram no monte Kynthos um santuário a divindade do Olimpo Apolo. Este monte tinha uma posição privilegiada que visualizava  as direções de todas as ilhas ao redor. Foram instituídos sacerdotes e profetas que adivinhavam em nome deste deus e durante séculos, diversos guerreiros e generais se dirigiram até esta ilha para consultar o oráculo sagrado de Apolo, um dos mais importantes de todas a Grécia, concorrendo com o de Dodona e o de Delfos.
     Segundo a cultura grega, a terra e não o céu, foi a morada da maioria das divindades gregas. Cerca de mil deidades menores habitavam a terra, as águas e o espaço. Espíritos de árvores sagradas, especialmente o carvalho, nereidas, naíades, etc. O ritual grego era tão variado quanto aos deuses por ele honrado.
     Os deuses ctônicos(grego "Khthon"= terra) eram identificados ao submundo, ligados a terra ou interior do solo. Geralmente relacionados à fertilidade  da terra. Se distinguiam das deidades Olímpicas pela maneira como eram cultuadas. Os sacrifícios dos deuses ctônicos(Caronte, Tártaro, Hades, Moiras, Cronos, Érebo, Persífone, Cloto, Laquesis, etc) eram feitos à noite e os animais imolados eram colocados em covas. As suas oferendas de carne, em geral,  eram queimadas ou enterradas. Os sacrifícios da deusa ctônica Hécate realizavam-se nas encruzilhadas.
     Já os 12 deuses Olímpicos(Zeus, Heracles, Apolo, Posseidon, Atena, Hera, Afrodite, etc), recebiam seus sacrifícios de animais durante o dia e em altares e as suas carnes eram assadas e compartilhadas entre seus adoradores. Os deuses Olímpicos também eram reverenciados com alegres rituais de acolhida e louvores, através dos mais variados jogos de competição. Foram idealizados diversos torneios como forma de manter as divindades felizes, o que traria prosperidade e êxitos no futuro.
     Os jônios, primeiros habitantes desta ilha, celebravam periodicamente um festival esportivo em honra de Apolo, denominado "Délias". Para realização destes torneios, foi construído um ginásio, que a princípio  era composto de uma pista para corridas à pé e um espaço para as lutas corporais e pugilismo. Com o passar dos anos, foi aperfeiçoado com a criação da "Palestra": local privado com dimensão limitada, de forma quadrada ou retangular, específico para prática de exercícios em geral e treinamento para as lutas corporais e pugilatos.  Este ginásio ficava próximo ao mar.
     O complexo do ginásio consistia basicamente nos seguintes espaços: 1) "Efebeum"-local destinado aos exercícios; 2) "Coryceum"-local onde se guardavam os sacos de couro utilizados para a prática do pugilismo; 3) "Conisterium"-local onde os lutadores se reuniam depois das lutas para se limparem do óleo utilizado em seus corpos nas pelejas; 4) "Frigida lavatio"- tanque d'água, onde os atletas se refrescavam depois das atividades competitivas(banhos públicos); 5) "Elaethesium"- local onde se guardavam os óleos corporais. O ginásio possuía também estátuas de deuses que ornamentavam o local, principalmente Hermes(deus da velocidade) e Heracles(ou Hércules, em latim), deus da força física ; vestuário, acomodações para os espectadores, recintos para massagens e unção com óleos.
     Apolo, na cultura grega, era a representação do astro luminoso sol e de todos os seus atributos, era cultuado como deus da luz, o mais importante para a antiga Grécia, e sem dúvida tido como profeta. Nessa condição, esta divindade mobilizou para todos os seus templos, todas as camadas sociais dos antigos gregos. Por intermédio de seus sacerdotes, ele respondia às perguntas dos chefes militares, navegantes, soberanos, pessoas do povo que ansiosamente procuravam desvendar o futuro e conhecer as probabilidades de êxito nos negócios, nas guerras, nas viagens e nos amores.
     Agamenon erguia-lhe preces e os espartanos sacrificavam-lhe cavalos, para que Apolo se retirasse do céu em sua carruagem flamejante. Os Ródios, habitantes da ilha de Rodes,  honravam hélios(sol) como Apolo, sendo sua principal divindade, arremessando, anualmente, quatro cavalos e uma carruagem(biga) ao mar, para o seu uso e ergueram em sua homenagem o Colosso de Rodes. O filósofo grego Anaxágoras(500-428 a.C.), protegido por Péricles, que era seu discípulo, por ser também astrônomo, em 455 a.C., teorizou que a lua não passava de um pedaço da Terra que se desprendeu, porém  seus contemporâneos atenienses não lhe deram crédito por achar que a lua era uma deusa e quase foi condenado à morte por ter dito que também o sol não era um deus, mas apenas uma bola de fogo.
     Para esculpirem a estátua de Apolo, os artistas gregos reuniam os mais belos jovens e selecionavam de cada um deles, sua parte mais perfeita. Assim conseguiram os traços para representarem o deus: a soma do que havia de mais belo na pessoa humana. Estudavam cuidadosamente as proporções do contorno do rosto com seus membros. Tudo medido, calculado, de forma a aproximar-se daquilo que consideravam a perfeição. Essa representação do divino, segundo modelos humanos constituía a realidade para o mundo grego. Os deuses das civilizações anteriores à grega, não tinham aparência humana, pois procuravam apresentar a superioridade do divino sobre a raça humana. Como no Egito e na Mesopotâmia, muitas divindades eram representadas tendo parte humana e parte animal.
     Os gregos só podiam entender o invisível pelas coisas visíveis e humanas. Só podiam sentir e demonstrar a beleza a partir do que viam ao seu redor. Observando os famosos atletas nos estádios, nos jogos de  exercícios, o escultor grego tirava deles os traços para compor a perfeição de uma estátua do deus. Desde as esculturas mais primitivas, em madeira, bronze ou mármore, Apolo é geralmente representado nu ou às vezes com um leve manto.
     Perante o santuário de Apolo em Delos, os atletas prestavam o juramento de seguirem as regras impostas, enquanto eram entoados hinos em homenagem a divindade. Como em todos os jogos regionais e nacionais da Grécia, uma chama era acesa ao patrono dos torneios e sacrifícios de animais eram feitos no altar da divindade. Durante a realização dos jogos Délios, cada atleta ofertava seu esforço físico à divindade que, em caso de vitória sobre os demais concorrentes, demonstrava que seu sucesso foi o mais bem aceito pelo deus homenageado nos jogos de exercícios.
     A partir do ano 500 a.C., a cidade de Atenas apoderou-se do domínio desta ilha, trazendo uma época de prosperidade, até a sua independência em 322 a.C.
     Em Delos, foi estabelecida uma confederação de Estados gregos(Liga de Delos), fundada em 478 a.C., mantendo-se até 338 a.C., quando o conquistador Felipe da Macedônia derrotou os atenienses na Batalha de Queronéia. Em 166 a.C., Delos passou para o domínio dos romanos, que restauraram o controle do culto religioso, por parte dos atenienses e permitiram o desenvolvimento da ilha como centro de comércio e venda de escravos. Em 315 a.C., esta ilha caiu no domínio dos egípcios ptolomaicos: uma das quatro monarquias que serviam Alexandre, o Grande.
     No século I d.C., cerca de 30 mil pessoas viviam nessa pequena ilha e em torno de 750 mil toneladas de mercadorias poderaim ser transportadas através do seu porto.
     A prosperidade desta ilha e as relações comerciais com o Império Romano foram a principal causa da sua destruição. Delos foi atacada e saqueada por duas vezes: 1) Em 88 a.C., pelos Mithridates, reino de Pontus(um inimigo dos romanos); 2) Em 69 a.C., pelos piratas de Athenodorus, um aliado de Mithridates. A partir de então, a ilha foi gradualmente sendo abandonada.
     O Imperador Juliano, o Apóstata(331-363 d.C.), foi provavelmente o último soberano romano a consultar o oráculo do deus Apolo no monte Kynthos, em Delos, devido a recusa do atendimento no oráculo de Delfos.
     Devido a expansão do evangelho de Cristo, as Délias foram proibidas pelo edito do Imperador Teodósio I, o Grande, em 393 d.C. Hoje esta ilha está abandonada.
                                                       
                                        Bibliografia.
    "A História da civilização II-Nossa Herança Clássica-Will Durant
     "Sítio Arqueológico de Delos-online
      "Wikipédia-Cíclades"
       "Relíquias/Cíclades-As ilhas da Mitologia-online"
        "Delos-infopédia-online"
        "A ilha de Delos e o Santuário de Apolo"-online"
        "Apolo-mitologia-online".
    

domingo, 18 de agosto de 2013

BABILÔNIA: SINÕNIMO DO PECADO E MUNDANISMO- III PARTE.

     Heródoto(484-420 a.C.), autor grego, diz que Babilônia a qual ele havia visitado, ocupava uma área quadrada de 22 kms, com uma área provável de 370 kms. O templo do deus Bel tinha a altura de 200 metros(até hoje no mundo, não há catedral tão alta). Diz-se que 42 reis tinham receio de reedificar esse templo depois da sua destruição, mas que o rei Nabucodonosor(605-562 a.C.) sentiu muito orgulho em dizer que o tinha feito sem demora. As muralhas de Babilônia tinham mais de 100 metros de altura e a largura era tal que duas(2) carruagens(bigas) de guerra, podiam andar lado a lado por cima dela. Cada lado da cidade tinha 25 portas de metal. De cada porta partia uma rua, cuja distância era de 6 km da outra extremidade. Sob o reinado de 43 anos de Nabucodonosor, esta cidade reviveu seus tempos mais gloriosos.
     Este rei babilônico mandou construir, no século VI a.C., os Jardins Suspensos da Babilônia, para agradar e consolar sua esposa Amitis, que nascera na Média, um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra natal, já que Babilônia era uma planície. À margem oriental do rio Eufrates, foi construído o novo e suntuoso palácio real. Ao sul do mesmo, mandou elevar a sua maravilha. Não foram poucas as dificuldades para levantar estes jardins. Entretanto, tempos depois lá se encontravam soberbos e magníficos: "Seis(6) montes de terras artificiais, com terraços arborizados, apoiados em colunas que variavam no seu tamanho.Assentavam-se sobre um pequeno monte artificial de uns 16 metros e meio de altura, recortado por túneis e reservatórios.Chegava-se a estes jardins por uma escada de mármore. A primeira plataforma media 250 metros e sobre ela levantavam-se 25 pilares de cada lado e outros 25 espalhados no interior do quadrado, com intervalos de 3 metros... Os terraços foram edificados um em cima do outro e em cada um deles haviam plantações diversas, como árvores e flores tropicais e alamedas de altas palmeiras.. Em cima da cobertura encurvada(abóboda) ficava o aterro, com terra suficiente para receber as raízes, mesmo das grandes árvores. A luz entrava nos túneis pelas abóbodas superiores. No cume dos jardins, haviam máquinas que faziam subir dos reservatórios, água do rio Eufrates sem que ninguém percebesse. Dos jardins, podia-se ver as belezas da cidade abaixo.
     Nabucodonosor construiu um conjunto arquitetônico para proteger sua metrópole contra qualquer invasão. Fez um canal de defesa ligando os rios Tigre e Eufrates, a 40 km de Babilônia, cercado por um muro em toda a sua extensão(o Muro dos Medos).
     A religião teve um papel fundamental nesta cidade, possuindo 14 diferentes santuários e outros 29 distribuídos por todo o resto desta metrópole. Um dos maiores santuários foi nomeado Esagil, dedicado ao deus Marduk(língua babilônica) ou Merodaque(na língua Assíria). O maior palácio desta cidade denominava-se "Torre de Babel" ou "Fundação do Templo do céu e da Terra"(em honra ao deus Bel), que elevava-se sobre toda a metrópole, localizado ao norte do santuário do deus Marduk.
     Apesar de Nabucodonosor ter sido usado por Deus para cumprir seus propósitos, reinava em seus costumes as práticas de feitiçaria e idolatria, que o Altíssimo tanto abomina: "E no segundo ano do reinado de Nabucodonosor........mandou chamar os magos, os astrólogos, os encantadores e os caldeus para que declarassem ao rei qual tinha sido o seu sonho; e eles vieram e se apresentaram diante do rei.....Respondeu Daniel na presença do rei e disse: o segredo que o rei requer, nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos o podem descobrir ao rei; mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos...."(Daniel 2:1,2,27 e 28).
     "Eu, Nabucodonosor....tive um sonho....então entraram os magos, os astrólogos, os caldeus, e os adivinhadores e eu contei o sonho diante deles: mas não me fizeram saber a sua interpretação."(Daniel 4:4,5 e 7).
     "O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, a altura da qual era de sessenta côvados(30 metros de altura) e a sua largura de seis côvados: levantou-se no campo de Dura, na província de Babilônia.... e qualquer que não se prostrar e não a adorar, será na mesma hora lançado dentro do forno de fogo ardente"(Daniel 3: 1e 6).
     O profeta Ezequiel, no ano 593 a.C., no cativeiro babilônico, denunciou as formas de adivinhações usadas por Nabucodonosor e por todos os descendentes babilônicos, que afrontam ao Todo-Poderoso: "  Porque o rei de Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos para fazer adivinhações: aguçará as suas frechas, consultará os terafins(ídolos domésticos), atentando nas entranhas(dos animais)."(Ezequiel 21:21).
     Outro tipo de prazer reinante em Babilônia era o bebida fermentada. Na totalidade dos documentos mais antigos vindo desta metrópole, desde os primórdios da escrita, é o fato comprovado de que, ao lado da água pura, porção verdadeiramente universal de todos os tempos, a bebida mais comum, mais popular, não era o vinho, mas a cerveja. Esse território de aluviões(depósitos), entre os rios Tigre e Eufrates, cercado por canais, era eminentemente próprio para a cultura, em grande escala de cereais. Era portanto, inevitável que os cereais fornecessem o essencial do regime alimentar: o pão que, imerso na água e fermentado, produzia singelamente o líquido alcoolizado, que era a cerveja, mesmo que esta ainda estivesse muito longe da que é consumida nos dias atuais. Essa cerveja, a qual os sumérios davam um nome cuja significação original não conhecemos, "Kash" e os Acádios, "Shikaru", literalmente significando "a embriagante", figurando entre os mais primitivos sinais da antiga escrita, por volta de 3200 a.C.
     O símbolo que representa é um grande vaso, cujo interior se vêem grãos que evidentemente foram deixados na água para fermentar. Não apenas se permaneceu fiel a essa bebida no país, dando lugar a outras bebidas: tisanas diversas e "vinhos" de tâmaras e de outras frutas), desenvolvendo-se em torno da cerveja. Foram encontradas até mesmo fragmentos de um formulário para fabricá-la, espécie de "manual do cervejeiro". Esses textos permitem conhecer mais de 50 tipos de preparação diferentes, variando entre si pelo grau alcoólico e pelo crescimento, pelos cereais de base e pelos diferentes sabores acrescentados. Qualquer que fosse a sua forma, a cerveja era verdadeiramente, ao lado da água pura, a bebida preferida, dos mais pobres aos que pertenciam a mais alta hierarquia social, dos simples súditos aos governantes e reis. Todos se deleitavam com ela, até mesmo os deuses, aos quais era oferecida, durante as cerimônias religiosas. A civilização mesopotâmica foi, essencialmente, a civilização da cerveja.
     O vinho aparece, sobretudo, em toda a parte, como objeto do comércio ativo e de importação a partir da região sírio-armênia, seja por meio de caravanas, seja ao descer de barco pelo rio Eufrates(principalmente a partir do porto de Carquemish, cerca de 100km a nordeste de Aleppo). Esta bebida extraída do sumo das uvas, foi uma das matérias preferidas dos presentes ofertados pelos reis àqueles que desejavam recompensar ou homenagear. Por volta do ano 780 a.C., são distribuídas regularmente vinho a todos os funcionários e servidores do rei, hierarquicamente classificados e homenageados. Por volta de 870 a.C., o rei da Assíria Ashshur-Nasir-Apal II(883-859 a.C.), depois de ter renovado inteiramente a capital Nimrud, em um grande banquete, ofereceu a sua corte, junto com os altos funcionários, os operários das obras de construções e aos cidadãos da cidade, uma imensa refeição, regada com grande quantidade de cerveja e vinho, ou seja, 100 mil litros de bebida fermentada, provocando bebedeira coletiva.
     O vinho não conseguiu superar na Mesopotâmia, uma antiga e obstinada fidelidade a cerveja.
     O vinho da Mesopotâmia mostra-se cada vez mais refinado e exigente. Em 1600 a.C., passou-se a distinguir o "vinho jovem" e o "vinho velho". Há o "vinho de qualidade"(ou seja, o de bom gosto), ao contrário, do ordinário ou de segunda classe, conhecido como vinagre. Conhecia-se os "vinhos fortes", "doces" ou "muito doces"(adicionados com mel e açúcar da época) e até mesmo "vinho amargo", com provável adição de ervas e sumo de ervas(talvez a murta). Na ordem da cor: "vinho claro"(branco, rosé) e o "tinto", com duas variedades(sâmu e Simu), com nuanças, "olho de boi".
     Nabonido, rei de Babilônia(556-539 a.C.), nomeou seu filho Belsazar como regente desta cidade, partindo para Tema(Arábia). Em 540 a.C., Nabonido se gabou de ter distribuído, igualmente aos operários que trabalharam na edificação de um templo, grande quantidade de "pão e carne", "cerveja fina" e "vinho", segundo o costume mesopotâmico. Seu filho Belsasar, num tom desafiador, pediu que lhe trouxessem as taças de ouro e prata do templo do Senhor, para ingerir bebidas embriagantes, provocando assim a sentença divina sobre o seu reino: "O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes e bebeu vinho na presença dos mil. Havendo Belsazar provado o vinho, mandou trazer os vasos de ouro e de prata, que Nabucodonosor, seu pai, tinha tirado do templo que estava em Jerusalém, para que bebessem por eles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas...beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra."(Daniel 5:1,2 e 4). Pelo fato de seu pai Nabonido ter se casado com uma filha de Nabucodonosor, Belsazar passou a se chamar "filho de Nabucodonosor".
     Devido a dedicação dos seus alimentos aos deuses, o profeta Daniel decidiu separar-se de tais refeições: "E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar(iguarias) do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar......desta sorte, o despenseiro tirou a porção do manjar deles e o vinho que deveria beber e lhes dava legumes."(Daniel 1:8 e 16).
     No exílio babilônico, os judeus participaram de muitos privilégios: foi-lhes permitido construir casas, ter criados e negociar(Jeremias 29:5-7; Esdras 2:65); e ninguém os impediam de ocupar as mais altas posições do Estado(Daniel 2:48; Neemias 1:11). Tinham  consigo os sacerdotes e os Doutores(Jeremias 29:1: Esdras 1:5); recebiam os conselhos e encorajamento do profeta Ezequiel(Ezequiel 1:1). Em 539 a.C., o profeta Daniel compreendeu pela leitura dos livros inspirados, que o cativeiro judaico havia de durar 70 anos, levando-o a suplicar a Deus pela restauração do seu povo. Babilônia foi instrumento nas mãos de Deus para castigar as nações pecadoras, inclusive Judá. Durante este período do exílio, os judeus eram tratados como órfãos e desprezados pelo Todo-Poderoso, o que em breve teria a sua redenção: "Acontecerá, porém que,quando se cumprirem os setenta anos, visitarei o rei de Babilônia e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniquidade e a da terra dos caldeus; farei deles uns desertos perpétuos."(Jeremias 25:12).
     "No ano primeiro do seu reinado(Dario, o Medo), eu, Daniel entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.......a ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, a confusão de rosto, como se vê neste dia; aos homens de Judá, aos moradores de Jerusalém e a todo o Israel; aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa da sua prevaricação, com que prevaricaram contra ti."(Daniel 9:2 e 7).
     Diferentemente do exílio na Assíria, onde os judeus deportados(cerca de mais de 200 mil israelitas), se misturaram totalmente com as outras nações, os exilados na Babilônia se articularam em comunidades, não deixando o judaísmo perecer. Mantinham a divisão das tribos, seguiam a genealogia, começada antes do exílio. Nos primeiros momentos, os exilados entraram em profundo desespero, não entendendo  o por que o Altíssimo ter permitido que passassem por tão grande humilhação, por estarem fora da Terra Prometida. Todavia, com o tempo, foram aceitando esta condição do exílio, sendo que alguns até se consideravam o verdadeiro povo de Israel, menosprezando os que haviam ficado nas terras de Canaã.
     "Porque, assim diz o Senhor: certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar."(Jeremias 29:10).
     "Assim diz o Senhor: eis que levantarei um vento destruidor contra Babilônia e contra os que habitam no coração dos que se levantam contra mim.......Porque Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, do Senhor dos Exércitos, ainda que a sua terra esteja cheia de culpas perante o santo de Israel. Fugi do meio de Babilônia e livre cada um a sua alma; não vos destrua a vós na sua maldade; porque este é o tempo da vingança do Senhor; ele lhe dará a sua recompensa......e pagarei a Babilônia e a todos os moradores da Caldéia, toda a sua maldade, que fizeram em Sião, à vossa vista, diz o Senhor.......e visitarei a Bel em Babilônia e tirarei da sua boca o que ele tragou e nunca mais concorrerão a ele as nações: também o muro de Babilônia caiu. Saí do meio dela, ó povo meu e livre cada um a sua alma, por causa do ardor da ira do Senhor......portanto, eis que vêm dias, em que visitarei as imagens de escultura de Babilônia e toda a sua terra será envergonhada e todos os seus  traspassados cairão  no meio dela.....como Babilônia fez cair os traspassados de Israel, assim em Babilônia cairão os traspassados de toda a terra.....portanto, eis que vêm dias, diz o Senhor, em que visitarei as suas imagens de escultura; e gemerá o traspassado em toda a sua terra."(Jeremias 51:1,5,6,24,44,45,47,49 e 52).
     Babilônia orgulhava-se pelo seu poder comercial, político, sendo o berço da vaidade, ostentação, costumes idólatras e prazeres mundanos, levando o Altíssimo a anunciar sua destruição: "E Babilônia, o ornamento(enfeite) dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou."(Isaías 13:19).
     Exemplo disto está no relato de Nabucodonosor, levando Deus a puni-lo, retirando-lhe o reino durante sete(7) anos, tornando-o perturbado mental: "Falou o rei e disse: não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder e para a glória da minha magnificência? ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz do céu: a ti se diz, ó rei Nabucodonor: passou de ti o reino. E serás tirado dentre os homens e a tua morada será com os animais do campo..."(Daniel 4:30-32).
     "Então proferirás este dito contra o rei de Babilônia e dirás: como cessou o opressor! a cidade dourada acabou!......o inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda.......porque me levantarei contra eles, diz o Senhor dos Exércitos, e desarraigarei de Babilônia o nome e os resíduos, o filho, o neto, diz o Senhor. E reduzi-la-ei a possessão de corujas e a lagoas de águas: e varrê-la-ei com vassoura de perdição, diz o Senhor dos Exércitos."(Isaías 14:4,9,22 e 23).
     Deus usou o profeta Isaías, em 712 a.C., falando da queda de Babilônia, predição que ocorreria 173 anos após, com a invasão desta cidade pelas tropas persas, liderada pelo rei Ciro, em 539 a.C., matando o príncipe-regente Belsazar(Daniel 5:26-28): "E eis agora vem um bando de homens e cavaleiros aos pares. Então respondeu e disse: caída é Babilônia, caída é! e todas as imagens de escultura dos seus deuses se quebraram contra a terra."(Isaías 21:9).
     "E tu, seu filho Belsazar, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste de tudo isto....contou Deus o teu reino e o acabou. Pesado foste na balança e foste achado em falta. Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e persas....naquela mesma noite foi morto Belsazar, rei dos Caldeus. E Dario, o medo, ocupou o reino, na idade de sessenta e dois anos."(Daniel 5:22,26 e 30).
     "Assenta-te silenciosa e entra nas trevas, ó filha dos caldeus, porque nunca mais serás chamada Senhora dos reinos.....e dizias: eu serei senhora para sempre: até agora não tomastes estas coisas em teu coração, nem te lembraste do fim delas.....mas ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez: em toda a sua força virão sobre ti, por causa da multidão das tuas feitiçarias, por causa da abundância dos teus muitos encantamentos."(Isaías 47:5,7 e 9).
     No ano 595 a.C., o profeta Jeremias, falando da parte de Deus, confirmou a tomada de Babilônia por uma nação vinda do norte da Mesopotâmia(Pérsia): "A palavra que falou o Senhor contra Babilônia, contra a terra dos caldeus, por Jeremias, o profeta. Anuncio entre as nações; e fazei ouvir, não encubrais, dizei: tomada é Babilônia, confundido está Bel, atropelado está Merodaque, confundido estão os seus ídolos e caídos estão os seus deuses. Porque subiu contra ele uma nação do norte, que fará da sua terra uma solidão e não haverá quem habite nela: desde os homens até os animais fugiram e se foram.......a espada virá sobre os caldeus, diz o Senhor e sobre os moradores de Babilônia e sobre os seus príncipes, sobre os seus sábios....cairá a seca sobre as suas águas; porque é uma terra de imagens de escultura..."(Jeremias 50: 1,3, 35 e 38).
     "Então tremerá a terra e doer-se-a, porque cada um dos desígnios do Senhor está firme contra Babilônia, para fazer da terra de Babilônia, uma assolação, sem habitantes."(Jeremias 51:29).
     "Por isso habitarão nela(Babilônia) as feras do deserto, com os animais bravos das ilhas: também habitarão  nela as avestruzes; e nunca mais será povoada, nem será habitada de geração em geração."(Jeremias50:39).
     "Alimpai as frechas, preparai perfeitamente os escudos: o Senhor despertou o espírito dos reis da Média; porque o seu intento contra Babilônia é para a destruir; pois esta é a vingança do Senhor, a vingança do seu templo."(Jeremias 51:11).
     Babilônia nunca mais voltaria a ser um país independente. No século VI a.C., foi conquistada pelo Império Medo-Persa. Milênios seguintes, conquistada por Alexandre, o Grande(336-323 a.C.); os Selêucidas(323 a.C.), os Espartanos e finalmente, os romanos.
     Atualmente, de acordo com as profecias divinas, esta cidade é um pântano,povoado por hienas, linces, panteras e javalis. Os seus grandes templos e cidades, outrora morada de grandes conquistadores, foram reduzidos a montões de entulhos. Não há ali habitantes, exceto algumas tribos errantes do deserto(beduínos).
     As ruínas de Babilônia começam a 6 kms e meio  acima da aldeia de Hillah e estende-se a 5 kms e meio para noroeste, perto de 4 km do oriente para o ocidente, principalmente do lado oriental do rio. Os três montões de entulhos principais, os árabes dão o nome de "Babil", "Kars" e "Amran". Estão no oriente do rio e em uma seção da antiga cidadela, que num período remoto, tinha a forma triangular limitada pelo rio Eufrates e por dois muros. O montão sul, "Amran", assinala o local do templo de Marduk; o montão central "Kars", cobre as ruínas do velho palácio e do templo da deusa Belite, situada mais para este e separado do palácio pela Avenida das procissões. O montão "Babil", ao norte, é o lugar do palácio norte de Nabucodonosor. Hoje, esta região é um lugar estéril, devido as areias do deserto: "E Babilônia se tornará em montões, morada de dragões(lobos), espanto e assobio,sem um só habitante."(Jeremias 51:37).
     "E Babilônia.......nunca mais será habitada, nem reedificada de geração em geração: nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tão pouco os pastores ali farão deitar os seus rebanhos. Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais; e ali habitarão as avestruzes e os sátiros(bodes) pularão ali. E as feras que uivam gritarão umas às outras nos seus palácios vazios, como também os chacais nos seus palacios de prazer..."(Isaías 13:20-21).
     "....Eis que ela(Babilônia) será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma solidão. Por causa do furor do Senhor, não será habitada, antes se tornará em total assolação....porque pecou contra o Senhor."(Jeremias 50:12,13 e 14).
     Desde aqueles dias até hoje, Babilônia tem simbolizado apostasia, arrogância, ostentação, confusão e tentativa de salvação através dos esforços humanos. O mundo é representado nesta famosa cidade da antiguidade, que acumula todos os tipos de pecados que tanto enfurecem o Altíssimo Deus, que exige santidade.
     Como Deus prometeu a libertação do seu povo do jugo babilônico, após os 70 anos do exílio, assim também está destinado a queda da Grande Babilônia, que é o mundo e seus prazeres, no final dos tempos e o livramento daqueles que fazem a vontade de Deus:"Fugi do meio de Babilônia e saí da terra dos caldeus; e sede como os carneiros diante do rebanho."(Jeremias 50:8).
     "Saí do meio dela(de Babilônia), ó povo meu, e livre cada um a sua alma, por causa do ardor da ira do Senhor."(Jeremias 51:45).
     "E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo....e clamou fortemente com grande voz, dizendo: caiu, caiu a grande Babilônia....porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição e os reis da terra se prostituiram com ela...e ouvi outra voz do céu que dizia: sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu e Deus se lembrou das iniquidades dela."(Apocalipse 18:1,2-5).

                               Bibliografia.
     Dicionário da Bíblia-John D. Davis-17ª edição-1985
     Wickipédia-Jardins Suspensos da Babilônia
     Babilônia-civilizações antigas-Infoescola-online
     Antiga Babilônia-centro da civilização da Mesopotâmia-online
     Civilização Babilônica(gastronomia, vinho e cerveja na Babilônia)-Templo de Apolo-online
     A Queda de Judá/Templo de Apolo.net/batalhas-online
     Bíblia Sagrada.